MESA REDONDA
ARQUIVO, MEMÓRIA E DITADURA
EDIÇÃO 2014 - 50 ANOS DO GOLPE
UNIRIO
  
       
Como manter viva a memória dos que tombaram durante a ditadura militar? De que maneira contornar os impedimentos legais trazidos pela Lei da Anistia, promulgada há trinta anos, e prosseguir com os trabalhos de resgate e reconstrução deste período? De que modo juntar os fatos dispersos para montar o quebra-cabeças e recuperar a imagem de uma das fases mais escuras da história do nosso país? Como resquícios da ditadura militar continuam presentes, ainda hoje, em nossa sociedade? A recém instaurada Comissão da Verdade surgiu para buscar algumas destas respostas. E paralelamente a ela, percebemos a necessidade de um registro desse processo.

Afinal, que crimes daquele período ainda estão sem averiguação e continuam impunes? Quantos foram mortos, como foram mortos, quem os assassinou? Onde estão os corpos de pais, irmãos, irmãs, filhos e filhas de centenas de cidadãos brasileiros? Até onde chegará o trabalho da Comissão da Verdade e o que a população espera dela?

O documentário Verdade 12.528, cujo nome se relaciona exatamente à lei que criou a Comissão Nacional da Verdade em 2011 e a instituiu em maio de 2012, vem dar a sua contribuição no sentido de aprofundar o debate. Pretendemos resgatar e reconstruir a memória, explicar como funciona a Comissão Nacional da Verdade e mostrar sua importância hoje através de histórias que ainda precisam ser contadas. Serão registradas as expectativas da sociedade em relação a ela também como uma forma de cobrança. O que precisa ainda ser descoberto e o que deve ser dito?

Fazendo sempre uma ponte com o presente pretende-se educar, conscientizar e informar a população como um todo. O que está presente hoje em nossa sociedade que são resquícios daquele período? Não é questão de revanchismo nem de saudosismo, mas sim de busca pela construção da memória do país, na contramão da anestesia social em que a sociedade está mergulhada hoje, baseada no esquecimento e na reconciliação.

No documentário são contadas histórias de pessoas que sofreram com a repressão e de outras que, de uma forma ou de outra, são até hoje afetadas direta ou indiretamente.

A ideia surgiu após percebermos um desconhecimento grande em relação ao período e à própria Comissão. Acreditamos que o tempo não pode apagar a memória, relegando ao esquecimento um momento histórico como este, que precisa ser documentado para as futuras gerações.

Assim, tomando como fio condutor uma linha do tempo que pulsa entre a razão e a emoção, o documentário intercala histórias pessoais, tendo como pano de fundo o contexto da época e explicações didáticas sobre a atuação da Comissão hoje.

O filme começou a ser rodado ainda em 2012, mas precisou ser repensado, por condições financeiras, para ser levado adiante. Assim, no final do mesmo ano, foi colocado em um site de financiamento coletivo, o Catarse, onde os projetos recebem cotas de apoio em dinheiro. Foram arrecadados R$18.350,00 em 45 dias.

Verdade 12.528 foi lançado em outubro de 2013 na 37a Mostra Internacional de São Paulo.

Foram ao todo 40 entrevistados entre São Paulo, Jales e na região do Araguaia. O documentário conta com depoimentos de 27 deles: Amélia Teles, Clarice Herzog, Criméia de Almeida, José Luiz Del Roio, Ivan Seixas, Maria Rita Kehl, Dona Otília Vieira Berbert, Regina Vieira Berbert, Ilda Martins da Silva, Marcelo Rubens Paiva, Vera Paiva, Eliana Paiva, Tenente Paz, José Miguel Wisnik, Guiomar Lopes da Silva, cinco camponeses do Araguaia que colaboraram com a Guerrilha, Laura Petit, Bernardo Kucinski, Pedro Pomar, Franklin Martins, Paulo Sérgio Pinheiro, Marlon Weichert e Lavínia Del Roio da Frente de Esculacho Popular.

Verdade 12.528
Direção e produção: Paula Sacchetta e Peu Robles
Montagem e finalização: André Dib
Música original: André Balboni
Som direto: André Mascarenhas
Cor: Pedro Moscalcoff
Efeitos: Alison Zago
Mixagem: Gui Jesus Toledo
Produtora de áudio: Estúdio CANOA
Realização: João e Maria.doc
Cor
Tempo: 55 minutos
Brasil, 2013